Em outubro de 1996, iniciei uma música parecida com um samba-enredo, onde fazia críticas às coisas erradas que acontecia na igreja. Imaginava uma escola de samba cristã cantando descendo a avenida falando da igreja.
Contudo, não concluí o samba-enredo, pois achava que expondo os problemas da igreja em público iria, na verdade, fazer um “desserviço” ao evangelho e não um serviço.
Engavetei aquela estrofe que dizia “domingo após domingo eles vão se reunindo pra falar de Jeová; tem campanha, tem jejum, todos cantam somos um, e no Céu vamos morar.”
Três meses depois, em janeiro de 1997, recebi uma ligação da direção da recém-fundada Escola de Samba Jesus Bom à Beça, de Curitiba. Eles desejavam que eu fizesse o samba-enredo para a Escola desfilar, e me deram esse tema “A história de dois reinos”, baseado numa peça de teatro homônima.
Achei o desafio interessante e me pus a trabalhar o mais rápido possível, pois faltavam 30 dias para o carnaval. O enredo conta a história da igreja desde a sua gênese até os dias de hoje.
Sem me aperceber, segui a mesma linha melódica do samba que havia começado meses antes, e justamente na hora em que ia falar da igreja atual, saquei da memória a estrofe que havia composto e arquivado.
A estrofe se encaixou perfeitamente à música sem dar a conotação de crítica. Entendi, então que Deus já estava me preparando meses antes para compor meu primeiro samba-enredo.