Esta música aconteceu de forma inusitada. Ela é a décima música do Oratório do Pentatêuco.
Depois de estudar bem a história de Hagar e Ismael, estava determinado a fazer uma música na voz de Hagar, uma mulher que, supus, tivesse uns 50 anos, com muitas mágoas e histórias para contar. Por isso imaginei um bolero, bem no estilo anos 1950, chorado, reclamando da vida, afinal, ela estava agora no deserto com seu único filho, abandonada, sem suprimentos.
Por vários dias tentei em vão fazer a música, apesar de já dominar o assunto e saber exatamente o que queria. Naqueles dias, minha esposa decidiu experimentar, em casa, várias roupas da boutique de uma amiga sua, para, quem sabe, adquirir alguma.
Sentei-me no sofá da sala e minha esposa ia ao quarto e vestia uma nova roupa para me mostrar. Aproveitei que estava tranquilo, e peguei o violão para dedilhar: algumas notas.
Meus dedos foram direto num ré maior e comecei um bolero na voz de Hagar: “Errante andei pelo deserto de Berseba...”. Depressa peguei papel e caneta, e a música saiu toda ali, escolhendo roupas.